Perguntas frequentes

1 – ”Se o paciente é depressivo é bom que ele vai cantar músicas alegres, não é”?
R.:  Não, necessariamente. Segundo Benenzon, (1988) o terapeuta deve sempre partir do ISO (em grego quer dizer igual) do paciente, ou seja, da utilização de um estímulo sonoro-musical compatível com o seu tempo mental, para, a partir daí, permitir que qualquer mudança aconteça. Assim, com um paciente que esteja depressivo, mais lento, temos que viver essa intensidade, viver essa ‘dor’, para a partir daí levá-lo a uma mudança, sempre respeitando o tempo do paciente.
Da mesma forma, com um paciente com hiperatividade é necessário vivermos primeiro essa “desorganização”, esse “caos” interno que é refletido externamente através de seus sons e movimentos, para, com o tempo, vínculo e objetivos musicoterápicos caminharmos juntos rumo à uma maior organização e harmonia interna, que se refletirá, instantaneamente em suas atitudes e relações exteriores; o que lhe trará uma verdadeira mudança, não abafada pelas orientações exteriores e sim, expressadas e canalizadas rumo ao seu maior potencial criativo e saudável.

2 – “Eu estava ouvindo música. Estava fazendo musicoterapia?”.
R.: Ouvir música pode vir a ser terapêutico sim, mas não pode ser considerado Musicoterapia, pois a Musicoterapia é um processo, e só pode ser estabelecida a partir da relação terapeuta/paciente.

3 É preciso saber tocar algum instrumento ou saber música para fazer musicoterapia?
R.: Não, o paciente não precisa ter nenhum conhecimento teórico ou prático em relação à aprendizagem musical, uma vez que a musicoterapia visa à expressão sonora e musical em todas as suas formas, e tem a música como natural e inata ao indivíduo.

4 – Mas, o que é música na musicoterapia?
R.: Consideramos que a música na Musicoterapia seja vista como qualquer tipo de manifestação sonora: seja ela musical ou não. Dentro do musical estaria a música “estruturada” (composta) e seus elementos (ritmo, melodia e harmonia) e dentro do “não musical” estaria o silêncio, o ruído, que ainda assim é dotado de sons. Essa música é feita a partir da relação cliente/terapeuta, onde ambos fazem música, não importa de que maneira, seja ela a partir dos instrumentos musicais (que são identificados como “objetos intermediários”**   da relação) e do corpo (voz cantada, sons do corpo), sendo valorizada qualquer forma de expressão. Poderá, então, surgir as “mudanças” no indivíduo, que vão partir da sua expressão e comunicação com o outro.

(silva, Adriana silvestre. A descoberta do ‘eu’ no processo musicoterápico. Relato de caso clínico, Goiânia, 2003.)

**Benenzon (1988) define objeto intermediário como “um instrumento de comunicação capaz de criar canais de comunicação extrapsíquicos ou de fluidificar aqueles que se encontram rígidos ou esteriotipados”. (p. 47).

5 – Qual a diferença entre a Educação musical e a Musicoterapia?
R.: A educação musical tem como objetivo ensinar didaticamente o aluno a prática de um instrumento musical.
A musicoterapia permite o paciente vivenciar esse universo dos sons, tendo como objetivo principal a expressão corpóreo-sonoro-musical e a clarificação de aspectos internos e emoções trazidas e vividas pela prática musicoterapêutica, além de outros objetivos relevantes, de acordo com a individualidade de cada um.
Na educação musical existe a relação professor-aluno.
Na musicoterapia, a relação terapeuta-paciente.

Referências Bibliográficas:
BARCELLOS, Lia Rejane Mendes Mini-curso: Música em Musicoterapia, Goiânia, 2004.
BENENZON, Rolando O. Teoria da Musicoterapia, Rio de Janeiro, ed. Enelivros, 1988.