Musicoterapia em grupo com crianças.

O que é Musicoterapia?

A Musicoterapia é uma ciência que se utiliza dos sons e seus elementos (som, ritmo, melodia, harmonia) para prevenir, reabilitar e intervir de forma terapêutica no ser humano.
Utiliza-se de instrumentos musicais, som, canto, música, corpo.

Busca a saúde integral do ser humano em todos os seus aspectos: físico, mental e espiritual, pela prevenção, reabilitação e/ou tratamento; tendo como facilitador dessa relação, um musicoterapeuta qualificado.

São diversas as áreas de atuação: gestante, criança, adulto, terceira idade.

Têm-se indicações a Educação Especial (Deficiência Mental, Síndrome de Down, Déficit de Atenção e Hiperatividade…), Saúde Mental (autismo, transtornos de humor, ansiedade, depressão…), Doenças Neurológicas (doença de Huntiton, Parkinson…) e os demais que procuram desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento através do universo dos sons e de seu corpo, mente e alma.

Mt. Adriana Silvestre

Áreas de atuação

Para quem é indicada a Musicoterapia? Quais as áreas de atuação?

A Musicoterapia é indicada para todas as faixas etárias e a todas as pessoas que procuram desenvolvimento pessoal e autoconhecimento.

Outras áreas de atuação da MT:

  1. Área de Neuropsiquiatria Infantil: Incluem o autismo, Síndromes (Rett, X-Frágil etc), distúrbios de conduta, déficit de atenção e distúrbios de comportamento.
  2. Área do indivíduo com Necessidades Educativas Especiais: Dentre elas, temos: a Deficiência Mental, Deficiência visual, Deficiência física e Deficiência múltipla.
  3. Área de Reabilitação: Visual, motor, auditiva, múltipla e neurológica (AVC, Parkinson, Alzheimer etc).
  4. Saúde Mental: Transtornos psiquiátricos e dependentes químicos.
  5. Área Hospitalar: Pacientes hospitalizados e em atendimento ambulatorial (atendimento em hospitais)
  6. Área de Recursos Humanos: Atendimentos realizados em empresas, escolas, clínicas e hospitais.
  7. Área Social: Gerontologia, Meninos de Rua, Detentos, Gestantes, Família e outros.
  8. Área Educacional (atendimento em escolas), ou clínica -acréscimo meu- no que se refere a: Distúrbio de aprendizagem, Déficit de Atenção e Distúrbios do Comportamento, e/ou educação regular.

 

(Nascimento, E.F.F; Áreas de Atuação da Musicoterapia, 2003).

Musicoterapia – Um breve relato

Em 1500 a.C médicos egípcios viam a musica como “terapia” para aumentar a fertilidade da mulher.

De acordo com a Bíblia (1000 a.C.) David tocava harpa para aliviar o Rei Saul dos “maus espíritos”.

Já Platão demonstrou interesse pelo estudo dos efeitos da música sobre os seres humanos pelos seus efeitos terapêuticos. Afirmava que “a música é o remédio da alma” e que se chega ao corpo por intermédio dela. Para ele, a alma pode ser condicionada pela música assim como o corpo pela ginástica.

Mas a música passou a ser considerada como terapia após a Segunda Guerra Mundial, quando os médicos perceberam que os feridos em contato com a música apresentavam uma recuperação mais rápida e eficaz.
Músicos e médicos formaram um grupo de pesquisa para estudar os efeitos da música na saúde. Em 1950 foi fundada a primeira entidade nos EUA: a National Association of Music Therapy.

No Brasil, o primeiro curso foi dado pelo argentino Rolando Benenzon, no conservatório Brasileiro de Música, no Rio, em 1968, mesmo ano em que foi fundada a primeira associação na América do Sul, em Buenos Aires, Argentina.

Atualmente, existem pelo menos 10 cursos de Musicoterapia no país, entre graduação e pós-graduação, sendo o curso de Musicoterapia da UFG o primeiro e, por enquanto, o único em nível de graduação, em uma universidade federal no Brasil.

A Musicoterapia vem conquistando espaço em hospitais públicos e privados, escolas regulares e de ensino especial, creches, consultórios e clínicas particulares, núcleos de atendimento psicossocial, clínicas de repouso e outros.

Esse progresso em diversas áreas está relacionado com a força da música sobre a humanidade. A música tem o poder de sensibilizar e influenciar o subconsciente humano, pois o homem é um ser sonoro. A música está em todos os sons internos do corpo humano, como seus batimentos cardíacos e respiração. A música está na sua voz, num suspiro, num grito, num choro. Esses sons que expressam os sentimentos mais profundos do homem como a alegria e tristeza, constituem a matéria prima da Musicoterapia.

Em meio a tantas mudanças no universo científico, está comprovada a eficiência da utilização da música e dos sons como aliados no tratamento de várias patologias mentais. Até pouco tempo este trabalho era desconhecido pelo corpo clínico, científico e profissionais da área da saúde. Hoje, a Musicoterapia comprova que com sua atuação, a recuperação do paciente tornou-se mais rápida e eficiente.

A Musicoterapia é uma ciência paramédica que tem como proposta sua aplicação em diversos âmbitos e que tem como ferramenta de trabalho a música, o som e seus elementos para prevenir, reabilitar e intervir de forma terapêutica no ser humano. O cantar, o tocar, o ouvir, o dançar e toda forma de expressão através dos sons, sejam eles estruturados ou não, constituem as sessões musicoterápicas. Essa nova ciência que se utiliza da música, abre um novo caminho para tratar as enfermidades do homem, devolvendo-o suas potencialidades e força de vida.

Mt. Adriana Silvestre

Mt. Camila Lima

Mt. Ruiter Silva

Parabéns a todos os Musicoterapeutas, pacientes e admiradores dessa linda profissão!

Por Lilian Coelho – vice-coordenadora da comissão CBO:

A musicoterapia foi inserida no Código Brasileiro de Ocupação(CBO).
Temos o reconhecimento do profissional musicoterapeuta no mercado de trabalho
brasileiro pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego)

Nosso número CBO – Classificação Brasileira de Ocupação:  2263-05 – Musicoterapeuta

Site CBO:  http://www.mtecbo.gov.br

 

Perguntas frequentes

1 – ”Se o paciente é depressivo é bom que ele vai cantar músicas alegres, não é”?
R.:  Não, necessariamente. Segundo Benenzon, (1988) o terapeuta deve sempre partir do ISO (em grego quer dizer igual) do paciente, ou seja, da utilização de um estímulo sonoro-musical compatível com o seu tempo mental, para, a partir daí, permitir que qualquer mudança aconteça. Assim, com um paciente que esteja depressivo, mais lento, temos que viver essa intensidade, viver essa ‘dor’, para a partir daí levá-lo a uma mudança, sempre respeitando o tempo do paciente.
Da mesma forma, com um paciente com hiperatividade é necessário vivermos primeiro essa “desorganização”, esse “caos” interno que é refletido externamente através de seus sons e movimentos, para, com o tempo, vínculo e objetivos musicoterápicos caminharmos juntos rumo à uma maior organização e harmonia interna, que se refletirá, instantaneamente em suas atitudes e relações exteriores; o que lhe trará uma verdadeira mudança, não abafada pelas orientações exteriores e sim, expressadas e canalizadas rumo ao seu maior potencial criativo e saudável.

2 – “Eu estava ouvindo música. Estava fazendo musicoterapia?”.
R.: Ouvir música pode vir a ser terapêutico sim, mas não pode ser considerado Musicoterapia, pois a Musicoterapia é um processo, e só pode ser estabelecida a partir da relação terapeuta/paciente.

3 É preciso saber tocar algum instrumento ou saber música para fazer musicoterapia?
R.: Não, o paciente não precisa ter nenhum conhecimento teórico ou prático em relação à aprendizagem musical, uma vez que a musicoterapia visa à expressão sonora e musical em todas as suas formas, e tem a música como natural e inata ao indivíduo.

4 – Mas, o que é música na musicoterapia?
R.: Consideramos que a música na Musicoterapia seja vista como qualquer tipo de manifestação sonora: seja ela musical ou não. Dentro do musical estaria a música “estruturada” (composta) e seus elementos (ritmo, melodia e harmonia) e dentro do “não musical” estaria o silêncio, o ruído, que ainda assim é dotado de sons. Essa música é feita a partir da relação cliente/terapeuta, onde ambos fazem música, não importa de que maneira, seja ela a partir dos instrumentos musicais (que são identificados como “objetos intermediários”**   da relação) e do corpo (voz cantada, sons do corpo), sendo valorizada qualquer forma de expressão. Poderá, então, surgir as “mudanças” no indivíduo, que vão partir da sua expressão e comunicação com o outro.

(silva, Adriana silvestre. A descoberta do ‘eu’ no processo musicoterápico. Relato de caso clínico, Goiânia, 2003.)

**Benenzon (1988) define objeto intermediário como “um instrumento de comunicação capaz de criar canais de comunicação extrapsíquicos ou de fluidificar aqueles que se encontram rígidos ou esteriotipados”. (p. 47).

5 – Qual a diferença entre a Educação musical e a Musicoterapia?
R.: A educação musical tem como objetivo ensinar didaticamente o aluno a prática de um instrumento musical.
A musicoterapia permite o paciente vivenciar esse universo dos sons, tendo como objetivo principal a expressão corpóreo-sonoro-musical e a clarificação de aspectos internos e emoções trazidas e vividas pela prática musicoterapêutica, além de outros objetivos relevantes, de acordo com a individualidade de cada um.
Na educação musical existe a relação professor-aluno.
Na musicoterapia, a relação terapeuta-paciente.

Referências Bibliográficas:
BARCELLOS, Lia Rejane Mendes Mini-curso: Música em Musicoterapia, Goiânia, 2004.
BENENZON, Rolando O. Teoria da Musicoterapia, Rio de Janeiro, ed. Enelivros, 1988.