Foto: Musicoterapia na Área Educacional

  Musicoterapia na Educação – Conhecendo e vivendo o seu som

     O Som / a Música existe em tudo. O som não existe hoje. Ele sempre existiu. Foi a partir do som que o mundo foi criado. É pelo som que nos comunicamos, é pelo som que respiramos, através do som, vivemos. Inundados de som fomos gerados (batimentos cardíacos, movimentos peristálticos e voz da mãe), pelo som acalentados, pelo som amados.

    O som é, portanto, parte inerente ao ser humano, e parte essencial de sua formação integral, englobando todos os aspectos do Ser: físico, mental, emocional, social, espiritual. Como já assinalava Platão, “A música é parte essencial da educação, porque o ritmo e a harmonia impressionam a Alma e ajudam-na a reconhecer a perfeição e a imperfeição, tanto na Natureza como na Arte. A Música tem por objeto o Amor e a Beleza. E acrescenta, ainda: “A simplicidade na música torna a alma sábia”.

Por isso, e dentre tantos outros aspectos, percebe-se a grande importância da música na Educação. A importância de se perceber e perceber assim, a música que está em seu interior. E que ela possa ser exteriorizada através do seu som, seu ritmo, seu tempo; o que é sempre valorizado na musicoterapia dentro da educação: a música de cada um, a relação do “meu som” e o “som do outro”; meu tempo e o tempo do outro.

Porque assim como Stokoe e Half (1987) cremos que a criança não é um simples receptáculo de informações, mas sim, um ‘ser criador’, capaz de escolher e selecionar os instrumentos de que necessita para seu desenvolvimento total. Inclusive; acrescentam eles; o desenvolvimento da área intelectual será favorecida pelo desenvolvimento de outras áreas, tais como: social, emocional, corporal e acrescento, o musical.

Pela visão da musicoterapia aplicada à sala de aula, é assim valorizada a expressão corpóreo-sonoro-musical da criança e seu grupo, sendo essa expressão acolhida e canalizada para a aprendizagem consciente e vivencial do que se é estudado. O mais profundo de todos os estudos e o mais difícil de se perceber é o estudo de si mesmo.

E a música vai contribuir para esse fim: para a auto-percepção, o auto-conhecimento, a auto-valorização, a auto-realização; trabalhando aspectos sensoriais, mentais, emocionais e intelectuais através do universo dos sons e do seu corpo, considerado o maior e mais rico instrumento sonoro; além dos instrumentos musicais variados oferecidos e a música estruturada, para que a criança possa desde já mergulhar nesse oceano vasto da vivência musical, uma vivência de si mesmos, uma vivência única e individual, uma vivência eterna e inesquecível.

    Ouçam a música de seus corações, ouçam o som de suas almas e dancem com a mágica luz de serem estrelas a vagar por essa imensidão terrestre, nessa eterna busca de se encontrar.

(2008)

Mt. Adriana Silvestre

Referências bibliográficas:
Platão, Resumo da obra “A República” pela Escola de Filosofia Nova Acrópole
STOKOE, Patrícia; HARF, Ruth, Espressão Corporal na Pré-Escola, São Paulo, ed. Summus, 1987.