Musicoterapia em Hospitais: Veterinários e Humanos – Estudo de um caso ‘Animal’ 

   Que o som e a música nos afeta de várias formas todos nós sabemos. E assim como esses diversos sons têm diversas respostas em nós, assim também o mesmo tem respostas em animais e plantas, comprovados cientificamente, tais como o aumento da produção de leite em vacas e o melhor desenvolvimento em plantas, dentre outros.

     Nos voltamos agora aos animais e humanos e aos tratamentos dos mesmos em hospitais.

Ao adentrar em algum hospital ou UTI humana ou animal, percebe-se alguns sons no ambiente: principalmente sons de aparelhos ligados e voz humana médica a tratar dos pacientes. No mais, apenas um vazio, um silêncio frio…  Um lugar desconhecido, uma doença a ser tratada. Esse é o foco: o foco na doença.

Neste mesmo ambiente a musicoterapia foi se caracterizando como uma grande ciência para o bem da humanidade, quando os feridos da Segunda Guerra Mundial foram tratados com música e suas recuperações se tornaram muito mais rápida e eficaz.

Hoje em dia, em alguns hospitais existe a musicoterapia com o atendimento individualizado ao paciente, ou mesmo ao hospital em geral, onde a atenção e o foco deixa de ser a doença.

Ao se focar na saúde (seja ela mental, emocional ou espiritual) se reencontra mais rapidamente a saúde física, uma vez que essa última é apenas um reflexo das desarmonias já existentes nos outros planos (mentais/emocionais..).

Ao se buscar uma centelha, mesmo que pequena de saúde, é como uma gota de água que se joga em uma planta seca. É o sorriso que a gente tem escondido, é a paz que a gente procura fora, mas que está dentro de nós. E é isso o que ajuda na recuperação. A parte ‘saudável’ precisa entender e vencer a ‘doente’ e assim, curá-la.

Já está comprovado também que o uso da música em hospitais diminui consideravelmente a quantidade de analgésicos e outros medicamentos relativos à redução da dor e ansiedade. A música é o grande analgésico e ansiolítico natural tão acessível e muitas vezes esquecido.

Iniciamos nosso estudo em um hospital veterinário, observando a reação dos cães à música e seus efeitos durante um tratamento de quimioterapia. Temos a plena certeza que o mesmo ocorre aos seres humanos, não se esquecendo que com seres humanos o estudo é ainda mais elaborado e o acompanhamento de um musicoterapeuta é essencial.

Temos a seguir, em resumo,  um acompanhamento das sessões de quimioterapia com e sem o som e seus reações.

Cadela: Luna, adotada. Aproximadamente 2 anos de idade. Foi detectado um tumor venéreo, TVT. Se localiza na região da vagina, mais internamente e é adquirido através de relações sexuais, assim como o câncer de colo de útero em humanos. O tratamento é feito através de sessões de quimioterapia. Foi prescrito de 4 a 6 sessões. Temperamento do animal: tranqüilo, muito dócil.

1ª Sessão:

Estava tranqüila. Ainda não conhecia todo o procedimento. –Foi mais fácil pegar suas veias, mexeu pouco. Durante a sessão dormiu um pouco. Ausência de Som musical.

2ª Sessão:

Estava mais agitada. “Conhecia” o procedimento. –Dificuldade dos veterinários de pegarem a veia. Várias tentativas foram feitas até conseguirem. Ausência de Som musical.

3ª Sessão:

Foi dado medicação tranquilizante para que ficasse mais calma ao se pegar a veia. –Se mexeu um pouco. Relaxou mais, mas ainda em estado de ‘alerta’. Dormiu pouco, acordava, sempre ‘atenta’.

Ausência de Som musical

4ª Sessão:

Foi colocado o Som. (Canções de ninar com sons de batimentos cardíacos e outras)*

Antes e durante o tratamento. Foi dado metade da quantidade de medicação tranquilizante utilizada na sessão passada. –Não se mexeu ao se pegar a veia. Relaxou bastante. Dormiu, roncou. Não se alterou quanto à retirada do esparadrapo (puxa alguns pêlos quando tira – Em todas as outras vezes ela reagiu à isso. Desta vez não demonstra nenhuma reação.)

Ao voltar de carro para casa, depois de todas as outras primeiras sessões ela volta na parte da frente do carro, em pé, com o rosto para fora do carro.

Depois da 4ª sessão, ainda com o mesmo som dentro do carro, ela volta deitada no chão da parte da frente do carro, dormindo, totalmente relaxada. (Veja foto 1 abaixo). Chega bem em casa, brincando com seus ‘irmãos cachorros’ da mesma forma, tranqüila.

5ª Sessão:

Foi utilizado apenas o Som musical (Sons de ninar com batimentos cardíacos do cd “Canine lullabies” -ver site abaixo do artigo- e  do cd “As melhores Canções de Ninar do mundo” da coleção Caras). Não foi utilizada nenhuma dose de medicação tranquilizante.

A cadela Luna se mostrou tranquila em todo o processo do tratamento, mostrando-se relaxada antes, durante e após o tratamento da quimioterapia.

Não teve resistências quanto à colocação da agulha para a introdução do medicamento intravenoso da quimioterapia e soro fisiológico e para a medicação após o tratamento; nem quanto à retirada do esparadrapo.

Outra questão de grande valia é que em grande parte do tratamento podemos ficar distantes dela, o que não acontecia nas sessões anteriores. Era necessário sempre alguém que pudesse ‘segurá-la’ de forma um  pouco mais firme para que ela não se mexesse e retirasse o curativo da medicação intravenosa do tratamento.  (Veja fotos desta 5ª sessão logo abaixo, ao final do artigo)

Esse estudo de introdução da Musicoterapia ao ambiente Hospitalar Veterinário, aliado ao tratamento da oncologia se mostra, assim, de fundamental importância para a humanização do meio hospitalar, uma vez que a música se mostra bastante eficaz na redução da ansiedade, agitação e de extrema ajuda ao relaxamento; o que, além de facilitar o tratamento, reduz ou mesmo anula a necessidade de medicação tranquilizante.

E quem se beneficia à esse grande aliado da música e da musicoterapia não são só os animais aos quais esse estudo é voltado;  mas sim, toda a equipe médica e os proprietários, que se mostram mais tranquilos e seguros e com isso passam essa tranquilidade e segurança também a seus animais; que responderão, consequentemente, na mesma sintonia.

O resultado desta última sessão (Com Som, Sem medicação tranquilizante) poderá ser visto nas fotos abaixo e  Vídeos abaixo:

Foto 1

Cadela Luna de volta para casa, ao som de “Canine Lullabies” depois da 4ª sessão de quimioterapia.

Foto 2

Antes da Quimioterapia com som, sem medicação tranquilizante (5ª sessão), ao som de ‘Canine Lullabies’, ainda de olhos abertos.

Foto 2 "A"

Fechando os olhos…

Foto 2 "B"

De olhos fechados.

Foto 3

Durante o tratamento da Quimioterapia aliado à Musicoterapia.

Foto 4

Durante aplicação de medicação anti-reativa pós-quimioterápica, ainda durante a aplicação do soro fisiológico.

Foto 5

Retirada do esparadrapo.

Foto 6

Final da 5ª (e última) sessão.

Foto 7

“Obrigada a todos!”

Foto 8

Obrigada, Luna!

Valeu, pela grande colaboração em nosso estudo!

A Musicoterapia, a Oncologia, todos os hospitais e trabalhos em busca da saúde e humanização..  Agradecem!

Obs.: Não temos vídeos e fotos da 1ª à 3ª sessão de quimioterapia com a Luna (sem o estímulo musical), por ainda não termos em mente esse estudo mais profundo durante o início do tratamento.

Fomos percebendo suas reações às ‘picadas’ e ao ambiente hospitalar e com isso  fomos levando gradualmente a música; depois de estudos e testes dentro desta área musical / animal.

Por isso, nossa maior contribuição foi à partir da 4ª sessão, ao se perceber respostas positivas do animal em relação à música associada ao tratamento hospitalar.

E assim surgiu esse nosso estudo. Esperamos poder contribuir para uma visão mais humanizada em relação à busca da saúde.

Nada melhor do que um pouco de saúde (música) no resgate da saúde integral do ser humano e do animal.

Obs2.: A cadela Luna precisou de mais algumas sessões de quimioterapia, até o tumor (TVT) não ser mais encontrado. Ela agradece a todos os cuidados e atenção dispersados em seu nome e em nome da Medicina Veterinária e Musicoterapia, trabalhando juntas em prol de um bem maior.

 

Vejam abaixo os vídeos relacionados à esse estudo:

*Por que “Canções de ninar”?

Através de estudos e pesquisas foi-se percebendo o relaxamento de cães, assim como em crianças, com as canções de ninar, além de clássicos como Mozart.

Lembrando-se que não podemos ‘receitar’ músicas dessa forma com pessoas. Pois cada uma reagirá de uma forma frente a diferentes estímulos, de acordo com sua vivência e experiência musical. Veja no menu: “Perguntas Freqüentes” nesse mesmo site.

Em relação ao animal ainda estamos pesquisando mais a respeito e generalizamos mais no início. Mas, com certeza, terão cães que se acalmarão com outros tipos de música (principalmente aqueles que seus donos gostam e ouvem) e ao ouví-las em outro ambiente lhe trarão uma sensação de segurança e acolhimento, o que os ajudarão, com certeza, em seu relaxamento e em seu tratamento.

*Por quê “Batimentos cardíacos”?

Os batimentos cardíacos são uns dos primeiros sons que ouvimos quando estamos no ventre materno, além do som do sangue correndo nas veias e a voz da mãe, assim como os sons exteriores do ambiente à sua volta. E da mesma forma acontece com os animais.

O som do batimento cardíaco, assim, faz parte do ISO Universal, ou seja, da Identidade Sonora Universal, defendido pelo musicoterapeuta argentino Rolando Benenzon. Aquele som que faz parte da vivência e história de todas as pessoas, e acrescento, animais. Dentre eles estão os sons intra-uterinos e os sons da natureza em geral: água, pássaros e etc.

O batimento cardíaco é aquele primeiro ritmo que ouvimos e foi ele que nos trouxe aconchego e abrigo seguro por um tempo. Por isso ele pode nos trazer uma sensação de segurança e acolhimento, e assim, um relaxamento. Mas, também, como todo som, pode trazer desconforto para uma pessoa ou outra, o que terá alguma relação com a sua história pessoal e que também pode e deve ser trabalhado. Em relação aos animais e bebês humanos, ele têm se mostrado bastante eficaz.

 

*As  músicas utilizadas neste estudo foram do cd Canine Lullabies, para ouvi-las  ou comprar o cd, acesse o  link:  www.caninelullabies.com

Documentário “Musicoterapia aliada no combate à dor”. Transmitida pelo Fantástico, assista abaixo:

 

Agradecimentos especiais aos veterinários e estagiários de veterinária do Hospital Veterinário da UFG (Drª Vilma e sua equipe), pela abertura e estímulo à esse trabalho.

Mt. Adriana Silvestre