A Doença no Enfoque Sistêmico 

                                                                                    Por Rosa Maria Silvestre*

Para Bert Hellinger a doença é um movimento do espírito para curar a consciência familiar, trazendo a inclusão dos excluídos e equilibrando o sistema.
Geralmente, porque tudo é fenomenológico e cada caso é um caso, as doenças físicas podem ter a ver com lado materno e as mentais com o lado paterno.
Somos leais ao nosso sistema, as doenças físicas graves podem vir de três gerações que não tomam a mãe, avó e bisavó. Tem relação com a mãe.
 As doenças mentais são três gerações com ausência de pai, pode ter emaranhamentos entre vítima e perpetrador e estar ligado a crimes ocultos na família.
Antes da doença surgir existe um conflito programante silencioso, sem sintoma anunciando um perigo de vida. Assim que surge uma situação de conflito desencadeante aparecem os sintomas. A cura só se manifesta quando descobre-se o conflito programante. Por exemplo, no caso do câncer de mama a escolha seria “tomar” a mãe, a avó, a bisavó, do jeito que são e que foram, aceitar e ficar no seu lugar de filho.
Quando a geração não olha o dano, outra pessoa carrega pelo outro. As crianças adoecem no lugar dos seus pais, “eu por você”, no amor mágico, elas acreditam que podem salvar seu grupo familiar “Eu no seu lugar”.
A criança interna ama mas, precisa sair do amor infantil para o amor maduro, para perceber que o seu sacrifício não pode salvar o outro, mas piorar com duas mortes, duas infelicidades. Exemplo nos casos de anorexia: a criança interna diz para um dos pais “Melhor que eu desapareça no seu lugar” e nos casos de esclerose múltipla “Querida mãe, eu melhor que você”.
Em uma Constelação Familiar, quando o campo nos mostra este amor mágico, cabe ao ajudante trazer luz ao amor desta criança interna que tem um amor que adoece e trazer frases de cura e de solução para sua alma. Olhos nos olhos e repetir várias vezes até que seja de verdade e saia desta simbiose sem resultados:
“Querido pai, mãe, irmão, seja quem for… Mesmo que você vá, eu fico, olhe-me com bons olhos se fico, vou fazer algo bom em sua homenagem, vivo um pouco mais e depois eu também vou”. Ou …
“Querido…( seja quem for que está identificado) você está morto e eu viverei um pouco mais, até que chegue o  meu dia, vejo a sua dor e o seu destino difícil, curvo-me diante de seu destino, você pertence, você é um de nós”
As crianças e os adultos com suas crianças internas, querem manter a coesão do grupo familiar chamando a atenção para os excluídos, quantas vezes numa constelação o campo mostra a indisponibilidade da esposa e mãe por estar identificada por algum acontecimento trágico do seu clã. Ou recebe um mandato inconsciente do seu pai, mãe, avós que diz: ”Você por mim”.
Stephan Hausner, especialista de constelações com sintomas e doenças enfatiza que a doença não é o problema mas sim, uma tentativa de solução.  Traz alguns pensamentos orientadores como:
• A disposição do paciente em dizer Sim para a vida e assumir a responsabilidade pessoal. Aceitando nossos pais e antepassados com são e como foram. A história da família que nascemos é a nossa história.
• O amor primário da criança por seus pais, mesmo que sinta que algo lhe falte, fica em sintonia com a vida que recebeu, harmoniza-se com eles e assume a responsabilidade por si mesmo, como adulto. Pode ser também o amor cego, mágico e infantil do “Eu por você”
• Exclusão, Aceitação e Sintonia – geralmente a exclusão de uma pessoa ou várias pessoas ou acontecimentos relevantes, segredos e tabus trazem emaranhamentos e necessitam ser visto dentro de um contexto transgeracional.
Podemos concluir que muitas doenças estão associados ao destino de familiares excluídos, a acontecimentos trágicos e secretos que precisam ser reintegrados e incluídos, sem julgamentos, nem separações de bom ou de mau, todos pertencem e isso é vivenciado com alívio e paz pelo sistema familiar. Tudo está a serviço de Algo Maior.
Reflexões retiradas do curso administrado por Marisa Oberst, Sintomas e Doenças módulo 6, também de  leituras e vídeos da internet e do livro Constelações Familiares e o Caminho da Cura de Stephan Hausner.
* Rosa Maria Silvestre é consteladora familiar.
É tia de Adriana Silvestre e atende em Ribeirão Preto – SP, pelo Grupo Kaza
Contato Instagram: @rosamariasilvestre